A Doença

O dia estava irradiante aquela manhã. O sol iluminava a plantação de milho mostrando todo o esplendor da natureza de uma forma que Altamir nunca enjoaria de olhar. Por mais parecido que fosse esta paisagem para pessoas de fora, para ele todo dia era um novo dia, e toda a beleza da natureza era sempre uma nova beleza.

 

Altamir caminhou em direção ao moinho de vento como fazia todas as manhãs para iniciar o trabalho de um novo dia. Ao chegar perto de abrir a porta lateral por onde costumava entrar, algo estranho acontecia na floresta. Uma movimentação de pássaros e gritos de diversos animais ecoavam pelo ar de maneira anormal. Não estava muito longe dali, então resolveu investigar. Indo em direção ao tumulto presenciado segundos antes, tudo tinha voltado ao normal. O Silêncio agora tomava conta fazendo-o repensar e concluir de que aquele silêncio também não era normal. O que poderia estar acontecendo? Antes de continuar resolveu voltar até em casa e continuar armado.

 

Agora com sua garrucha de cano duplo, calibre trezentos e oitenta herdado de seu pai da época de 1950 e alguns cartuchos extras no bolso resolveu continuar. Conforme adentrava na floresta o silêncio perpetuava cada vez mais naquele ambiente que deveria estar cheio de ruídos, mas bastou andar cerca de oitenta metros para encontrar um primeiro sinal de que algo não estava bem. Altamir avistou um cervo caído com um grande estrago feito na região do peito abaixo do pescoço do animal, onde no lugar de uma pelagem marrom com branco como costumava ser agora só havia sangue e carne saídos de um grande buraco dilacerado.

 

Ele se aproximou do animal para tentar encontrar alguma evidência do que poderia ter acontecido ali, mas após encostar no animal revirando-o por debaixo dele nada encontrou. Mesmo para um cervo, presa de muitos caçadores do mundo selvagem aquilo nunca poderia ter acontecido daquela forma, pois seja como for, se houvesse um caçador para fazer um estrago daqueles porque então haveria de deixar o corpo do animal ali sem comê-lo? Esta era uma questão que o deixou pensativo por alguns segundos até o momento em que ao olhar para o chão, num movimento de derrota mental por não conseguir decifrar aquele mistério, Altamir percebeu algo em sua mão que o incomodou num vislumbre rápido de algo a mais que percebeu de relance com seus olhos focados ao chão.

 

Havia uma mancha verde na ponta de seus dedos. Seu primeiro movimento foi tentar esfregar seus dedos em sua calça jeans velha até sair, mas aquilo não fez efeito algum, e de alguma maneira aquela mancha parecia ter crescido um pouco mais. Ele correu então de volta à sua cabana correndo direto ao moinho de água, abrindo o registro para tentar lavar com um certo desespero suas mãos. Na primeira instância, ao perceber que a mancha não sairia, um temor tomou conta de seus pensamentos, que agora tinha certeza de que aquilo poderia ser algum tipo de doença, talvez transmitido por aquele estranho cordeiro.

 

Correu em direção à sua caminhonete ford 1985 e acelerou direto rumo à cidade. Sua intenção era ir direto a um hospital, mas no meio do caminho mudou seu trajeto e seguiu em direção à casa de sua ex-mulher.

 

Laira e Altamir se separaram num período difícil, em que influências externas da família dos dois lados culminaram por acontecer justamente junto a um período onde a dificuldade financeira influenciou muito em união ao primeiro problema para que a separação ocorresse. Mas os dois ainda tinham grande força numa união mesmo que ainda na amizade e em grandes problemas eles sempre procuravam-se.

 

Chegando à casa de Laira, Altamir contou o ocorrido e lhe mostrou sua mão, pedindo para que ela apenas não chegasse muito perto dele, pois a mancha já havia coberto suas duas mãos completamente. Imediatamente Laira, com um olhar de preocupação disse imediamente para que ele fosse a um hospital. Em cinco minutos haviam chegado. O atendimento foi rápido e Altamir fez alguns exames até que pedissem para que ele aguardasse numa sala restrita à ele.

 

Os médicos ao verem já seu antebraço quase completamente esverdeado tiveram uma conversa particular ao lado de fora da sala em que ele se encontrava, e percebendo que algo grave acontecia aproximou-se da porta para escutar o que discutiam. Pegou o final da conversa mas pôde escutar o principal:

– … mas este parece ser um vírus que além de desconhecido parece ser improvável ser verdadeiro de acordo com nossos equipamentos.

– Concordo doutor, já solicitamos equipamentos para exames novos mas o governo não está dando atenção à isso, e também acho que o resultado pode não estar cer….

– Vocês estão loucos?

Interrompeu o terceiro médico.

– Estamos diante de algo jamais provável em nossa ciência e isto não tem nada à haver com nossos equipamentos. Este é um novo vírus que parece tomar conta de uma pessoa em poucas horas, mas este paciente parece não estar sentindo nada. Sugiro alertarmos todos sobre isso pois pode ser altamente contagioso.

– Doutor, sugiro entrarmos em contato primeiramente com o ministério da saúde para sabermos o que fazer.

 

Neste momento um rapaz novo com um crachá de estagiário chega correndo a um dos médicos dizendo:

– Doutor já fiz isto. Enviei os exames para eles e disseram estarem mandando alguns homens do exército para verificar a possibilidade de um perigoso vírus.

 

Todos ficaram espantados com a notícia e atordoados sem saberem o que dizer. Enquanto isso, Altamir começa a ficar inquieto e ancioso muito mais depois de olhar para as feições dos médicos ali parados o observando. Passaram-se quatro minutos para um barulho de helicóptero anunciasse a presença dos médicos militares que entraram na sala de Altamir sem pronunciarem sequer uma palavra com roupas anti-contágio indo direto aos exames. Após algumas amostras de sangue os militares anunciam que o levariam em quarentena para a base mais próxima.

 

– Alguém poderia me explicar o que tenho?

– Senhor, você está infectado com um vírus desconhecido por nossa ciência com grandes impossibilidades de existir em nosso planeta.

– O que quer dizer? Estou infectado com um vírus alienígena? É isso?

 

Altamir perguntou sarcasticamente ao militar, mas este respondeu apenas com o silêncio dando de costas.

 

Enquanto os equipamentos eram arrumados e uma maca preparada para levá-lo embora já com quase metade do peito agora esverdeado, Altamir discretamente desviou sua atenção e saiu sem que ninguém percebesse. Sem camisa, Altamir saiu correndo pelos corredores do hospital e foi ao encontro de Laira, que o esperava na sala de recepção.

 

– Vamos Laira, temos de dar o fora daqui.

– O que aconteceu? Por que os militares apareceram e por que está fugindo?

– No carro explico tudo. Vamos.

 

Já dentro do carro, ele detalhou o que aconteceu dentro da sala de exames e pediu a ela para que voltassem à sua casa da montanha para investigarem o que estava acontecendo.

 

Durante um breve silêncio Laira liga o rádio no noticiário da tarde, e para a surpresa dos dois uma notícia bombástica: “Vários pacientes e médicos do Hospital Tavares foram encontrados à cinco minutos atrás em meio a um caos sem precendentes de pessoas agonizando pelas calçadas e muitos outros mortos. O exército acaba de chegar e isolou todo o local anunciando uma epidemia de um novo vírus. Ainda não temos a informação deste novo vírus, mas esperem …. algumas pessoas fora do isolamento também estão caindo no chão com sintomas do vírus….

A transmissão foi interrompida pela segurança de nossos repórteres. Voltamos com novas informações em breve.”

 

– Meu Deus Laira, eu devo ter sido o transmissor da doença no hospital, mas como eu poderia estar vivo ainda… Laira? Laira?

Ela estava morta. Segurando-a em seus braços Altair chora arrependido por tudo, no passado e no presente.

 

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Um dia se passa e nos rádios e tvs uma notícia bombástica. Um vírus começou a expalhar-se rapidamente e está matando dezenas de pessoas pela cidade.

As pessoas desidratam ficando totalmente verdes como a clorofila de uma planta e morrem em menos de 2 horas.

Ele volta a sua casa afastada na montanha com sua ex-mulher para que pudesse voltar ao local de origem e descobrir o que aconteceu. Sua mulher prefere esperar em sua casa de madeira.

Ao voltar ele descobre que ela está morta.

Então começa a imaginar porque todos estavam morrendo vítimas da infecção e apenas ele não.

Na floresta ele descobre uma instalação alienígena. Seres com aspectos grotescos, grandes e fortes, pele beje com toms de cores variados como os nossos, mas muito mais claros.

Eles tinham o dobro de nosso tamanho, não tinham cabelas e nenhum pelo pelo corpo. Eram como nós, mas muito mais evoluídos.

O acampamento era como uma base militar preparada para a guerra. Artefatos diversos, o que me fazia acreditar serem armas que cercavam todo o território.

Eu estava congelado sem saber o que fazer. Se eram mesmo alienígenas e fossem mais avançados que nós já saberiam que estou aqui espionando. Algo tocou minhas costas, mas não deu tempo para virar. Eu havia apagado.

Acordei dentro de uma cela com praticamente dois metros quadrados de tamanho. As barras eram feitas de metal, provavelmente algum tipo que ainda não conhecíamos, mas ainda sim era uma metal, e em cada barra uma sequência de dardos pontiagudos do chão ao topo, não me dando possibilidade de sequer chegar perto das barras.

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